domingo, 28 de março de 2010

O filão religioso

Ricardo Gondim

As Casas Bahia disputam o mesmo mercado que a Magazine Luiza. As duas lojas se engalfinham para abocanhar o filão dos eletrodomésticos, guarda-roupas de madeira aglomerada e camas de esponja fina. Buscam conquistar assalariados, serralheiros, aposentados e garis. Em seus comercias, o preço da geladeira aparece em caracteres pequenos, enquanto o valor da prestação explode gigante na tela da televisão. A patuléia calcula. Não importa o número de meses, se couber no orçamento, uma das duas, Bahia ou Luiza, fecha o negócio - o juro embutido deve ser um dos maiores do mundo.
Toda noite, entre oito e dez horas, a mesma lengalenga se repete nos programas evangélicos. Pelo menos quatro “ministérios” concorrem em outro mercado: o religioso. Todos caçam clientes que sustentem, em ordem de prioridade, os empreendimentos expansionistas, as ilusões messiânicas e o estilo de vida nababesco dos líderes. Assim, cada programa oferece milagres e todos calçam suas promessas com testemunhos de gente que jura ter sido brindada pelo divino. Deus lhes teria abençoado com uma vida sem sufoco. Infelizmente, o preço do produto religioso nunca é explicitado. Alardeia-se apenas a espetacular maravilha.
Considerando que a rádio também divulga prodígios a granel, como um cliente religioso pode optar? Para preferir uma igreja, precisa distinguir sobre qual missionário, apóstolo, pastor ou evangelista, Deus apontou o dedo. E se tiver uma filha com leucemia aguda, não pode errar. Ao apelar para uma igreja com pouco poder, perde a filha.
O correto seria freqüentar todas. Mas como? Em nenhuma dessas igrejas televisivas o milagre é gratuito ou instantâneo. As letrinhas, que não aparecem na parte de baixo do vídeo, afirmariam que, por mais “ungido” que for o missionário, um monte de exigência vem embutida na promessa da bênção. É preciso ser constante nos cultos por várias semanas, contribuir financeiramente para que a obra de Deus continue e, ainda, manter-se corretíssimo. Um deslize mínimo impede o Todo Poderoso de operar; qualquer dúvida é considerada uma falta de fé, que mata a possibilidade do milagre.
Lojas de eletrodoméstico vendem eletrodoméstico, óbvio. Igrejas evangélicas comercializam a idéia de que agenciam o favor divino com exclusividade. E por esse serviço, cobram caro, muito caro. Afinal de contas, um produto celestial não pode ser considerado de quarta categoria. A "Brastemp" espiritual que os teleevangelistas oferecem vem do céu.
O acesso ao milagre se complica, porque todos mercadejam o mesmo produto. Os critérios de escolha se reduzem a prazo de entrega, conforto e garantia.
Opa, quase esqueci! As lojas, em conformidade com o Código do Consumidor, são obrigadas a dar garantia, mas as igrejas evangélicas não dão garantia alguma. O cliente nunca tem razão. Quando a filha morrer de leucemia, o pai, além de enlutado, será responsabilizado pela perda. Vai ter que escutar que a menina morreu porque ele “deu brecha” para o diabo, não foi fiel ou não teve fé.
Mercadologicamente, Casas Bahia e Magazine Luiza estão bem à frente das igrejas. Melhor assim, geladeira nova é bem mais útil do que a ilusão do milagre.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Meu compromisso com a vida

Ricardo Gondim


Olho para o passado com lascas de nostalgia e pontas de melancolia. Caminhos que nunca trilhei hoje parecem bem mais fáceis. Amores que exigiram coragem voltam a me seduzir para me deixar ainda mais triste. Aventuras que nasceram de narcisismos e falsas onipotências reclamam explicações; como justificar tanto delírio? Não, não pretendo remontar passado. Desisto de qualquer tentativa de ressuscitar o que jaz sob o lajeado da decepção.


Para refazer meu compromisso com a vida, abandono o rigor de um humanismo idolátrico. Não idealizo as iniciativas ideológicas. Sei que toda instituição convive com o germe de sua própria inutilidade. Também não me prostro no altar do niilismo; descreio da capacidade humana de erguer-se pelos próprios cadarços. Meu existencialismo é frágil, carregado de suspeita. Minha religião, cheia de decepção. Minha ideologia agoniza debaixo dos escombros da modernidade.

Para refazer meu compromisso com a vida, largo na beira da calçada as metas-narrativas. Desconfio dos projetos globais. Incoerência entre discurso e prática me desesperam. A incapacidade de vertebrar o que acredito de coração me enoja. Criei cismas. Rio por dentro; é meu jeito de sobreviver aos ufanismos que tanto me irritavam no passado. Sei que preciso aniquilar os fantasmas que me deixaram com a sensação de ser um deus.

Para refazer meu compromisso com a vida, desisto de tentar levar a ferro e a fogo qualquer coisa. Erros me fizeram bem. Boas ações me arruinaram. Amigos me entristeceram. Desconhecidos me acolheram. Quando planejei, empaquei. Por outro lado, inesperadamente a vida deu certo sem planejamento. Sofri também com pecados. Paguei um alto preço por ser indolente. Mas, incrível, quando deixei para o dia seguinte o que deveria fazer hoje, foi bom.

Para refazer meu compromisso com a vida, quero ser leve como a pluma que escapou da asa do cisne, denso como o ruço que cobre a madrugada, escuro como a noite tropical sem lua, e transparente como o mar do Mediterrâneo. Hei de aprender a não discursar. Almejo ser mais enfático mas só em ternura; mais brando em afirmações. Pretendo rearrumar minha oratória. Quero voltar a olhar para o nada, como as crianças; a entrecortar frases com longas pausas, como os monges; a ritualizar os instantes, como os namorados.

Para refazer meu compromisso com a vida, espero envelhecer sem casmurrice. Acolher as doidices dos jovens, lembrando de como as minhas faziam sentido. Celebrar cada manhã como uma ressurreição. Aguardar o pôr-do-sol como uma grávida anseia pelo primeiro choro do filho. Plácido como um lago entre duas montanhas, espero encarar a morte. E que não reste nenhuma nesga de frustração em minha alma. E que eu descanse no sábado final com um sorriso maroto, sorriso de quem foi embora dizendo: valeu viver.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Em busca de lágrimas absolutas

Ricardo Gondim

Minhas antigas amizades se dissolvem como bolhas de sabão. Esqueci nomes. Mal consigo lembrar os olhos de quem já passou por minha vida. O passado diluiu momentos que poderiam torná-los familiares. Fiz-me irmão, e doei-me inteiramente a companheiros, mas hoje hesito. Desconfiado, reparto pedaços do coração. Não suporto imaginar a dor de outras separações, de mais decepções.
Tenho medo de abrir os porões da alma. A desarrumação de minha casa faz sentido para mim. O que os outros consideram bagunça, tem uma sincronicidade própria, que me deixa em paz. Vacilo em rasgar os envelopes selados, onde escondo segredos. Sei detectar os traumas que me deixaram chorão, os complexos que me deram olhos melosos, as circunstâncias que me fizeram viver à beira do pranto, as fragilidades que me transformaram em tímido. Mas não pretendo explicar nada a ninguém.
Tornei-me cauteloso quando brinco e rio. Fujo dos que procuram analisar a minha felicidade; ela não carece de julgamentos. O riso que meus lábios desenham não tem que ser explicado. Introjeto a alegria para que não seja pisoteada como a pérola da parábola. Prezo em não deixar vazar frágeis contentamentos; a pouca riqueza que amealhei merece ser guardada debaixo de mil segredos.
Olho para colegas e antecipo navalhadas. Resguardo as costas dos estiletes da inveja. Assusto-me. As maldades que já sofri são parecidas com as que eu próprio já acalentei no peito. Se não sei explicar o porquê de atitudes mesquinhas em mim, também não justifico a estreiteza que observo no próximo. Não sou pior nem melhor que os demais. Por isso, cerco o quintal de casa contra lobos ferozes. Sempre espero alguém ávido para destruir o pedacinho da dignidade que me resta.
Meus desalentos não serão rasos. Desço às regiões abissais da angústia. Envolvo-me na absoluta escuridão da casmurrice; que o lençol do desgosto me isole. Quero ficar na quarentena dos tristes. E provar a verdade de que “são bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Quero acreditar. Você acredita?

Heber de Paula Pareira
Não quero duvidar de nada, quero acreditar em tudo, quero confiar em todos, quero iludir-me, me enganar e não saber jamais sobre a verdade. Não quero pensar que tudo pode ser uma grande mentira. Não, eu não quero pensar na possibilidade de que estou sendo enganado. Quero confiar que tudo é como me dizem. Não é possível que haja mentiras. É impossível que alguém minta para mim. Diga-me o que quiseres, prometo, eu vou acreditar por mais absurdo que pareça. Vou fechar meus olhos e acreditar somente, vou sorrir e confiar. Vou acreditar que você me ama. Vou acreditar sempre, mesmo que as circunstâncias me provem o contrário eu vou acreditar em você. Tenho certeza, no mundo só há verdades. Todas as pessoas são boas, cheias de boas intenções. O amor brilha em cada olhar, por isso confio em todos. Todo o mundo me quer bem. É facil ver isso. Ninguém quer me enganar, ninguém quer prejudicar-me. Não há nesse mundo aproveitadores, não há covardes, não há assassinos, ladrões, desonestos, mentirosos, invejosos, difamadores, nada disso existe nesse mundo maravilhoso. Posso passear pelas praças a qualquer hora do dia, posso andar pelas ruas até altas horas da noite. Sempre haverá uma boa companhia para andar um pouco comigo, um bom amigo para conversar. Não preciso ficar vigiando minha bolça ou minha bicicleta pois ela vai estar bem aonde eu deixei me esperando para dar mais uma volta. Posso dormir com a janela do meu quarto aberta, é tão bom porque sempre entra um vento frio de madrugada me obrigando a cobrir meu corpo. Joguei as chaves fora, não preciso trancar as portas. Todo mundo que chega é bem vindo, são todos amigos e irmãos. É muito bom acreditar em todos e em tudo.
A verdade é cruel, não alivia nunca. Vem moendo tudo quanto é sentimento. Ela não conhece nomes, todos são iguais perante ela. Não há homem ou mulher, não há crianças nem velhos, ricos ou pobres, feio ou bonito. Todo mundo está nú frente a verdade. Parece constrangedor ficar assim, não dá para acreditar em alguém tão severo quanto a verdade. Tão inflexível que machuca. Quebra qualquer argumento.
A mentira é mais compreensiva, maleável, simpática até. Sempre dá o seu "jeitinho". A mentira tenta exaustivamente tornar as coisas melhores. Não quer causar dor, nem desconfianças. Não quer mostrar a maldade de ninguém, nem os defeitos por isso todos são perfeitos. Posso acreditar em todo mundo. Com a verdade não há isso, "pau é pau e pedra é pedra" e só, quer gostem ou não. A verdade não tenta agradar ninguém, ela só quer mostrar a realidade por mais dolorosa que seja. Por que a verdade é assim tão fria e dolorosa? Ela devia pensar um pouco mais nas pessoas, afinal, as pessoas tem sentimentos! Ou será que quem deveria pensar mais nas pessoas é a mentira? Será que a verdade só é assim por causa da mentira? E se não existissem mentiras? Será que posso fazer esse tipo de pergunta sem ofender a mentira? Afinal, ela faz tanto pelas pessoas, ela dá tantas voltas para não ofender ou machucar alguém! Ela é tão boazinha, não posso pensar assim. Isso é coisa da verdade, a verdade não se importa em ferir desde que ela esteja na história.
Por isso quero confiar em todos, quero acreditar em todo mundo.
Será possível estar acima da verdade ou da mentira? Vai saber...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"Deverias" e "ses"

Henri J. Nouwen

É dificil viver o presente. O passado e o futuro continuam a atormentar-nos. O passado com remorsos, o futuro com preocupações. Na nossa vida aconteceu tanta coisa que nos causa intranquilidade, desgosto, indignação, confusão ou, pelo menos, ambivalência. E todos esses sentimentos não raro, são coloridos com sentimentos de culpa. Culpa que se pode expressar assim: " Você deveria ter feito mais do que fez; deveria ter dito mais do que disse". Estes "deverias" contribuem para nos sentirmos culpados em relação ao passado e impedem-nos de marcar presença neste momento.
Mas pior ainda que as culpas são as nossas preocupações. As nossas preocupações enchem-nos a vida de "o que será se". "O que será se eu ficar desempregado? O que será se meu pai morrer? O que será se nao tiver dinheiro suficiente? O que será se a economia enfraquecer? O que será se estourar uma guerra?"
Estes muitos "ses" podem ocupar a nossa mente de tal maneira que nos tornamos cegos para olhar as flores dos jardins, as sorridentes crianças das estradas, ou surdos para escutar a voz agradecida de um amigo.
Os verdadeiros inimigos da nossa vida são os "deverias" e os "ses". São eles que nos puxam para um passado que não se pode modificar e para um futuro imprevisivel. Mas a vida real tem lugar aqui e agora. Deus é um Deus do presente. Deus está presente neste momento, quer seja dificl ou fácil, quer alegre ou triste. Quando Jesus falou de Deus, falou sempre de deus no presente onde nós estamos e quando lá estamos. "Quem me vê, vê a Deus", quem me ouve ouve a Deus", Deus não é alguem que foi ou que será, mas aquele-que-é, e que é para mim no momento presente. Eis porque Jesus veio tirar de nós o peso do passado e as preocupações do futuro. Ele quer que nós descubramos a Deus precisamente onde estamos, aqui e agora.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Que verdade?

Heber de Paula P.


Escolhe para mim? Decida por mim?
Por que tenho de escolher? Por que não posso opitar por não escolher?
Não confio tanto em minhas "verdade".
Será que aprendí bem a lição?
Não é facil acreditar em verdades solitárias. É mais fácil confiar no que todo mundo diz.
Ainda que o barco afunde, é melhor que uma canôa. Olhando assim, parece melhor morrer junto do que viver sozinho. Não estou falando de solidão, estou falando de verdades e das verdades que todo mundo diz. Ainda que a voz do povo não seja realmente a voz de Deus, se não acredito nessas verdades sou realmente um herege.
As vezes sou tentado a crer que não existem verdades ( ainda que isso também não seja verdade), e que existam apenas maioria e minorias, a voz da multidão e o sussurro tímido e solitário. Apesar do calor e conforto da multidão, tenho compaixão pelo solitário. Outras vezes me sinto eu mesmo o solitário e desamparado. São poucos os que se preocupam com os solitários.
A multidão enfurecida passa depressa e acaba esmagando sem piedade, sempre em nome da verdade, e segue sempre adiante em direção a não sei onde.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Esmagados pela graça

Ricardo Gondim

Li “Os Miseráveis” e me assombrei com a genialidade de Victor Hugo. O personagem central da narrativa é Jean Valjean, um egresso das galés. Impressionei-me como Victor Hugo construiu a história desse homem bom que lutou contra circunstâncias difíceis e gente perversa. Livre há quatro dias, Jean Valjean não encontrava quem o acolhesse devido ao seu passado. Sua fama o prejudicava. Cansado, com frio e faminto, precisava descansar. Sabendo que o prenúncio de chuva o mataria, Valjean procurou um albergue. Em vão. Até os cachorros o enxotavam. Desesperado, encontrou uma pessoa que lhe indicou a casa do bispo da cidade, D. Bienvenu. A anônima samaritana disse que o santo homem de Deus lhe daria hospedagem.
Quando bateu na porta da casa do bispo, Jean Valjean não escondeu sua vida pregressa. Mesmo assim, D. Bienvenu o hospedou, convidou para dividir a ceia e ainda lhe forneceu bons lençóis para a noite de sono. O ex-presidiário, entretanto, ainda padecia os efeitos de uma vida marcada pelo estigma do crime. Valjean ainda estava assustado com o mundo; era como um animal encurralado que precisava se defender. Valjean então resolveu fugir da casa do bispo pela madrugada, roubando os talheres de prata. Contudo, não conseguiu ir muito longe. Logo os guardas o pegaram, reconheceram as insígnias do bispo na prataria e o conduziram até a casa que lhe acolhera para ser reconhecido antes de ser devolvido ao cárcere.
Surpreendentemente, D. Bienvenu não só o perdoou como o liberou. Tratou-o com deferência e lhe fez uma pergunta desconcertante: “Estimo tornar a vê-lo. Mas eu não lhe dei também os castiçais? São de prata como os talheres e poderão render-lhe bem duzentos francos. Por que não os levou também”?
Diante do gesto nobre de não levar em conta o roubo e ainda oferecer castiçais, Jean Valjean “arregalou os olhos e contemplou o venerando Bispo com tal expressão que nenhuma língua humana poderia descrever”.
O perdão e o amor gratuito de D. Bienvenu impactou Valjean de tal maneira que sua vida mudou para sempre. O bispo o livrara da acusação da lei, mas o tornava, daí em diante, escravo da bondade. A gentileza, ou a graça, esmagou Jean Valjean. Ele nunca mais pôde ser igual. Ao liberá-lo, o bispo o fez servo de um gesto de grandeza.
Paulo afirmou em Romanos que Deus conduz as pessoas ao arrependimento por sua bondade. “Ou será que você despreza as riquezas da sua bondade, tolerância e paciência, não reconhecendo que a bondade de Deus o leva ao arrependimento?” (Romanos 2.4).
Portanto, Victor Hugo acertou quando fez de um pastor de almas a encarnação da graça de Deus. Só o amor tem o poder de transformar a vida de qualquer pessoa. Ninguém muda com ameaças; os arrazoamentos doutrinários são impotentes para convencer do que é certo. Jesus ensinou que seus discípulos seriam conhecidos pelo amor e não por uma teologia correta. “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (João 13.35).
Mesmo quando busca arrependimento, Deus não deprecia seus filhos; quando quer humilhar, prefere exaltar; quando deseja constranger, deixa de lado o rigor da lei e opta pelo elogio. Ao invés de ralhar, Deus simplesmente recebe o pecador com festa e aposta no seu futuro. Foi assim que Jesus descreveu o amor do Pai pelo Pródigo. O filho voltava para casa ainda sujo, sem sequer mostrar obras dignas de arrependimento, mas o pai apressado o abraçou, colocou anel no dedo, calçou os pés e o agasalhou com uma capa. O rapaz havia ensaiado um pequeno parágrafo pedindo para ser recebido como “um dos empregados” da casa, mas o velho o interrompeu e deu ordens para que preparassem a festa do bezerro cevado. A partir daquele dia, o filho se tornou escravo da bondade. A generosidade com que foi recebido, mesmo depois de ter se comportado com rebeldia causou um impacto tão grande que o rapaz nunca mais poderia voltar a ser o mesmo.
O mundo está cansado e parece ir de mal a pior. Fomes, guerras, pestes inundam o dia a dia e as pessoas precisam sentir-se amadas. O Evangelho traz a mais alvissareira notícia: "Deus não fecha portas, mas continua a receber os pecadores para restabelecer-lhes a dignidade, sem ameaçar com castigo. Deus gosta de acolher e honrar; dignificar e libertar; desobrigar e gerar compromisso.